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🕌 Histórias e Lições

Kufah: A Primeira Cidade Islâmica no Iraque, Onde Nasceu a Bela Escrita e a Ciência da Língua Árabe

Kufah, uma cidade fundada em 638 d.C., não era apenas o centro administrativo do Califa Ali e dos primeiros califas abássidas. Foi lá que nasceu a arte da caligrafia Kufi e a escola de sintaxe Kufi, que se tornaram pilares da ciência da língua árabe. Este artigo explora a grandiosidade da civilização islâmica por meio do papel de Kufah como cidade do conhecimento, cultura e política, deixando um legado imortal.

25 Jun 20266 min de leitura13,199 visualizaçõesPor Redaksi KhatulistiwaWikipedia — Kufa
Kufah: A Primeira Cidade Islâmica no Iraque, Onde Nasceu a Bela Escrita e a Ciência da Língua Árabe
Imagem: Foto: Wikipedia — Kufa (CC BY-SA 4.0)

A Sombra de Kufah: A Cidade Nascida de um Comando do Califa

Imaginem um deserto vasto, quente e silencioso. Em 638 d.C., quando o mundo ainda lutava contra guerras e caos, um comando do Califa Umar al-Khattab mudou tudo. Na margem do Rio Eufrates (Euphrates), surgiu uma nova cidade: Kufah. Esta cidade não era apenas uma tenda militar ou mercado temporário. Era a primeira cidade islâmica no Iraque, projetada com cuidado como centro administrativo, militar e intelectual. E quem poderia imaginar que deste solo árido surgiriam dois grandes legados que continuam vivos até hoje: a bela arte da caligrafia Kufi e a ciência da sintaxe árabe, que se tornou a base da língua do Alcorão.

Da Tenda para a Cidade do Conhecimento: A História Inicial de Kufah

Após as tropas islâmicas conquistarem o Iraque, o Califa Umar percebeu a necessidade de um centro fixo para governar esta nova região. Inicialmente, a cidade era apenas uma residência militar (amsar) – um acampamento que acabou se tornando permanente. Sua localização estratégica: no centro da Mesopotâmia, perto das rotas comerciais e rios férteis. No entanto, Kufah não era apenas uma cidade militar. Rapidamente, tornou-se um local de reunião de companheiros do Profeta, seguidores e intelectuais de todas as partes do mundo islâmico. Nos seus mesquitas, os estudos do Alcorão, hadices e língua árabe floresceram. Kufah tornou-se um campo de pensamento, onde os cientistas debatiam sobre interpretação, direito e gramática.

O Califa Ali e o Ponto Culminante da Glória de Kufah

O ápice da glória de Kufah chegou quando o Califa Ali bin Abi Talib, genro do Profeta Muhammad SAW, a tornou sua capital em 656 d.C. Durante cinco anos, Kufah foi o centro do califado, testemunhando eventos importantes como a Guerra de Jamal, a Guerra de Siffin e o surgimento da facção Khawarij. Apesar da tensão política, Kufah continuou a se desenvolver como centro de conhecimento. O próprio Califa Ali era muito hábil na língua árabe e frequentemente incentivava a ensinação da língua. Foi ali que os fundamentos da gramática árabe começaram a ser plantados, com figuras como Abu al-Aswad al-Du'ali – que supostamente aprendeu diretamente de Ali – começando a formular as regras de gramática que mais tarde se tornariam a base da gramática árabe.

A Arte Nascida do Nome da Cidade: A Caligrafia Kufi

Não muitas cidades podem se gabar de ter um tipo de escrita nomeado após elas. Kufah é uma delas. A caligrafia Kufi, ou Kufic em inglês, é o estilo de caligrafia árabe mais antigo e elegante. Surgiu em Kufah no século VII d.C., quando os escribas do Alcorão buscavam um estilo de escrita limpo, claro e artístico. As características da caligrafia Kufi incluem linhas retas, ângulos nítidos e formas geométricas. Não é apenas escrita – é uma arte que transmite precisão e majestade. A caligrafia Kufi foi usada para escrever os primeiros manuscritos do Alcorão, decorar mesquitas e simbolizar a brilhante civilização islâmica. Até hoje, a caligrafia Kufi ainda é usada na arquitetura moderna, decoração e design digital, provando que a beleza nunca envelhece.

A Ciência da Gramática Árabe: De Kufah Para Todo o Mundo

Outra contribuição notável de Kufah foi o surgimento da escola de gramática de Kufah (the Kufan school of grammar). Se Basra era conhecida pela escola de gramática mais conservadora e baseada em analogia, Kufah era reconhecida por uma abordagem mais flexível e baseada na língua árabe falada em conversas e poesias. Figuras como al-Kisa'i, al-Farra' e Ibn al-Sikkit promoveram debates científicos que avançaram a ciência da gramática. Eles produziram obras de referência que se tornaram a base para o estudo da língua árabe em todo o mundo islâmico. Sem a contribuição de Kufah, talvez a ciência da gramática árabe não fosse tão rica e ampla como é hoje. Os debates entre as escolas de Basra e Kufah não eram disputas, mas diálogos que enriqueceram o patrimônio intelectual.

Legado Perpétuo: Do Kufiyyah Para a Era Moderna

Kufah também deixou uma marca na cultura material. O nome da cidade foi preservado no tecido de cabeça árabe famoso: kufiyyah (keffiyeh). Originalmente, este tecido era usado pelos habitantes de Kufah e áreas circundantes como proteção contra calor e poeira. Hoje, a kufiyyah tornou-se símbolo de identidade, luta e moda global. Embora a maioria das kufiyyahs agora seja produzida na China, sua origem permanece gravada na cidade que tem mais de 1.400 anos. Kufah também foi um centro de impressão inicial do Alcorão, e seu impacto na caligrafia ainda é sentido na design de logotipos, livros e decorações de mesquitas em todo o mundo. Cada vez que vemos a caligrafia Kufi nas paredes da mesquita ou lemos versículos do Alcorão em manuscritos antigos, estamos testemunhando o legado vivo de Kufah.

Tão Claro quanto o Rio Eufrates: Kufah na Corrente do Tempo

Kufah não é uma cidade que foge à tragédia. Ela testemunhou derramamento de sangue entre muçulmanos, lutas pelo poder e queda de dinastias. No entanto, como o Rio Eufrates que continua fluindo, seu espírito intelectual nunca secou. Mesmo que Bagdá tenha se tornado o centro da civilização islâmica mais brilhante, Kufah permaneceu uma referência fundamental na gramática e caligrafia. Esta cidade é prova de que a civilização islâmica não é apenas sobre glória política, mas também sobre excelência intelectual e arte que transcende o tempo. Hoje, apesar de sua população ser de cerca de 110.000 pessoas, seu legado continua vivo em cada versículo escrito com caligrafia Kufi e em cada regra de gramática aprendida nas universidades ao redor do mundo.

Conclusão: Kufah, a Mãe que Nunca Morre

Kufah nos ensina que uma cidade não é apenas prédios e ruas. É alma, conhecimento e arte transmitidos às gerações. Da ordem do Califa Umar no deserto, nasceu a cidade que testemunhou o nascimento da caligrafia Kufi e da ciência da gramática árabe. Em cada curva da caligrafia Kufi, há paciência e precisão dos escribas do Alcorão. Em cada regra de gramática, há sabedoria dos sábios que queriam preservar a fluidez da língua do Alcorão. Kufah pode não ser mais a capital política, mas ela continua sendo a mãe de dois grandes legados que continuam iluminando o mundo. Como diz o ditado: o conhecimento é luz, e Kufah é uma das lanternas que ilumina o caminho da civilização islâmica.

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*Rreferência: [Kufa — Wikipedia](https://en.wikipedia.org/wiki/Kufa)*

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