21 de junho de 2009: Ponto de viragem na autonomia da Groenlândia
Em 21 de junho de 2009, a Groenlândia obteve oficialmente autonomia (*selvstyre*) do Governo da Dinamarca. Isso não é apenas uma mudança administrativa — marca uma transferência ampla de poder legal, incluindo áreas como agricultura, proteção ambiental, gestão de recursos naturais e leis penais. Pela primeira vez, o governo local em Nuuk pode tomar decisões próprias sobre exploração de petróleo, gás e minerais — potencial econômico principal no meio da camada de gelo que está se reduzindo.No entanto, as responsabilidades em relação à defesa, segurança externa, assuntos exteriores e moeda permanecem sob o controle da Dinamarca. O apoio financeiro anual de Copenhague também continua — uma realidade que mostra os limites práticos da autonomia da região.
Essa medida é o resultado de negociações de mais de dez anos após o referendo de 2008, no qual 75% dos eleitores da Groenlândia apoiaram a transferência adicional de poder. Também é uma continuação lógica do primeiro status de autonomia obtido em 1979.
A Groenlândia na estrutura do governo dinamarquês
A Groenlândia é uma região autônoma dentro do Reino da Dinamarca junto com as Ilhas Faroe e a própria Dinamarca. Seus cidadãos são cidadãos dinamarqueses e, portanto, cidadãos da União Europeia (UE), embora a Groenlândia não seja membro da UE — ela se retirou em 1985 após um referendo sobre a política pesqueira.Geograficamente, a Groenlândia é a maior ilha do mundo, localizada entre o Oceano Ártico e o Atlântico Norte, com uma fronteira terrestre de apenas 1,2 km com o Canadá na Ilha Hans. Sua capital, Nuuk, é a cidade mais populosa e centro administrativo e econômico da região.
Em termos econômicos, a Groenlândia ainda depende de ajuda da Dinamarca — média de 5,4 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de 3,4 bilhões de RM) por ano entre 2019-2023, ou mais de 20% de seu PIB.
Quem impulsionou a mudança?
O processo de autonomia envolveu cooperação entre os principais partidos políticos da Groenlândia — principalmente Siumut e Inuit Ataqatigiit — bem como o governo dinamarquês em Copenhague. Na Groenlândia, o apoio popular foi construído através de campanhas educacionais públicas e diálogos locais; na Dinamarca, este acordo foi aprovado pelo Folketing (parlamento dinamarquês) em 2008 como *Lov om Grønlands Selvstyre*. Nenhuma pessoa individual é vista como o 'pai da autonomia', mas esforços coletivos de líderes como Lars-Emil Johansen (ex-chefe do governo da Groenlândia) e representantes do governo dinamarquês na época desempenharam um papel fundamental nas negociações técnicas e legais.O que mudou após 2009?
A autonomia deu à Groenlândia controle total sobre seus recursos naturais — incluindo o direito exclusivo de emitir licenças de exploração de petróleo e minerais. Também fortaleceu a identidade inuit através do uso da língua e educação local, além de acelerar a formação de instituições próprias, como tribunais penais e agências ambientais.
No entanto, as promessas econômicas ainda não foram totalmente realizadas: projetos de exploração de petróleo estão paralisados devido a preços baixos e desafios ambientais, enquanto a dependência da ajuda dinamarquesa permanece alta. O tema da independência também não foi definido no acordo de autonomia — apenas afirma que a Groenlândia "pode escolher independência a qualquer momento" se a maioria da população a apoiar em um referendo válido.
O evento de 2009 não é o fim, mas o início de uma nova fase: um processo contínuo de autonomia, não um destino final.
