O pôr do sol no porto de Samarinda: 40.000 Alcorãos começam a navegar
No pequeno cais à beira do Rio Mahakam, o pôr do sol tingiu a superfície da água. Uma dúzia de caixas marrons empilhadas com cuidado — não era carga de mercadoria, mas 40.000 exemplares do Alcorão. Esta não era uma entrega normal, mas uma caravana de papel que percorreria rotas fluviais e estradas de terra até as regiões mais remotas do leste da Kalimanta.
A Agência de Doações do Alcorão (BWA) iniciou a distribuição da primeira fase do programa de doação do Alcorão para os moradores do Kaltim, partindo de Samarinda. A rota principal seguia o curso do Rio Mahakam: de Samarinda a Tenggarong, depois a Kutai Kartanegara, Kutai Barat e terminava no Mahakam Ulu — uma região que pode levar entre três a cinco dias de viagem em canoas.
Por que o Kaltim? Escassez do Alcorão atrás da riqueza natural
O leste da Kalimanta é conhecido pela riqueza de recursos naturais. No entanto, a riqueza mineral e das plantações de óleo de palma não garante automaticamente acesso igualitário aos livros sagrados. Os dados da BWA mostram que muitas madrasahs e Taman Pendidikan Alquran (TPA) nas regiões remotas possuem apenas um ou dois Alcorãos antigos para dezenas de alunos. Em uma madrasah em Kutai Barat, um ustadz já informou aos voluntários que seus alunos trocavam turnos para ler um único volume desgastado.
Este programa surgiu como resposta direta a essa situação. Fundos de doação foram coletados da sociedade em todo o país — a maioria vindo de fora do Kaltim — para imprimir e enviar o Alcorão. Cada exemplar foi impresso de acordo com os padrões do Ministério da Religião, usando papel de alta qualidade resistente à umidade, uma consideração importante nas áreas com clima úmido tropical.
Rotas fluviais e estradas de terra: logística nas regiões remotas
A distribuição não se resume apenas ao transporte de caixas. De Samarinda, caminhões levaram milhares de exemplares para o depósito de transição em Tenggarong. Parte foi transportada por barcos para montante do Rio Mahakam. Nas pequenas fozes, barcos motorizados assumiram, navegando pelos rios menores cada vez mais estreitos.
Em vilas como Tering e Long Iram, motocicletas eram o meio final. Voluntários locais — professores de religião e jovens da mesquita — ajudaram a descarregar e distribuir. A BWA registrou mais de 200 pontos de distribuição agendados. "Há vilas que só podem ser alcançadas por trilhas", disse um coordenador de campo, segundo o *Republika*. "O Alcorão é carregado manualmente por cinco quilômetros."
Alvo principal: madrasahs e TPA nas regiões distantes
O alvo principal são 500 madrasahs e milhares de TPA em toda a Kalimanta Oriental. Em Samarinda, algumas grandes mesquitas como a Mesquita Islamic Center receberam milhares de exemplares. No entanto, o foco da distribuição está realmente nas instituições pequenas nas regiões remotas: colégios com estudantes filhos de agricultores e pescadores, onde o Alcorão frequentemente é um item escasso.
Um líder de uma escola em Mahakam Ulu — cujo nome não aparece no relatório — admitiu ter recebido pela primeira vez ajuda com o Alcorão nos últimos três anos. "As crianças usavam cópias", ele disse, indiretamente. Agora, 200 novos volumes serão o equipamento fixo de cada aluno.
Impacto mais amplo: educação, doação e inclusão cultural
A distribuição do Alcorão tem impacto múltiplo. Primeiro, melhora a qualidade do ensino: os alunos não precisam mais disputar um único volume. Segundo, fortalece a prática da doação como solução social sustentável — a BWA registra a participação de doadores de 34 províncias, indicando solidariedade regional. Terceiro, este programa abre acesso para comunidades marginalizadas. Em algumas vilas predominantemente muçulmanas Dayak — como na fronteira entre o leste e norte da Kalimanta — o Alcorão se torna meio de reforço da identidade religiosa e ponte de convivência cultural. Os anciãos da tribo recebem os volumes com uma cerimônia simples, acompanhada de orações coletivas.
Próxima etapa: meta de 100.000 Alcorãos até o final de 2025
A BWA visa um total de 100.000 exemplares do Alcorão doado para o leste da Kalimanta até o final de 2025. Na próxima fase, a abrangência será ampliada para o norte da Kalimanta e áreas costeiras orientais. A instituição convida a sociedade a continuar fazendo doações — cada R$50.000 pode doar um novo Alcorão.
"Cada Alcorão que chega às mãos dos alunos é uma investida de mérito contínuo", diz o recado no relatório do *Republika*. Nas vilas silenciosas após a oração do crepúsculo, o som das crianças lendo o Alcorão voltará a ecoar — não mais de cópias escuras, mas de folhas bem organizadas à beira do rio.
