O cheiro de tinta nova e o som do solda ecoaram no Porto de Muara esta manhã — não apenas o som de uma oficina, mas o som inicial da indústria naval industrial do Brunei.
A Anson Shipyard oficialmente lançou o estaleiro integrado no Centro de Petróleo e Gás de Muara (PMB) com a construção do casco 211: navio de transporte de 80 passageiros para Fast Offshore Services. Este não é um projeto comum. É o primeiro passo do Brunei na construção de navios industriais em larga escala no próprio país.
Este projeto surgiu da colaboração entre a Anson e a Fast Offshore Services — empresa marítima local que há mais de uma década fornece serviços de suporte offshore. O casco 211 foi projetado especificamente para transportar trabalhadores de petróleo e gás para plataformas no Mar da China Meridional. Sua comprimento é de 45 metros. Sua velocidade atinge 25 nós. Ele é equipado com sistema de navegação digital, cabines climatizadas e área de carga ajustável para cargas diárias.
Casco 211: Não é Apenas um Navio, Mas uma Prova de Capacidade Local
O casco 211 é uma prova real: o Brunei é capaz de construir ativos marítimos de alto valor sem depender de contratados estrangeiros. Seu design enfatiza eficiência de combustível e segurança da tripulação — importante nas condições adversas das águas da Borneo. O processo de construção é rigoroso: solda de chapas de aço de 12 mm, instalação de sistemas de tubulação complexos e testes consecutivos de pressão.
"Estamos orgulhosos de realizar este projeto totalmente no Brunei, com força de trabalho local treinada", disse o diretor da Anson, Awang Harris bin Bakir. "Esta é apenas a primeira etapa. Temos como meta construir navios maiores e mais avançados nos próximos dois anos."
Mais de 100 Trabalhadores Locais Contratados, Treinamento Intensivo Lançado
A construção do casco 211 contrata diretamente mais de 100 trabalhadores locais — soldadores, engenheiros estruturais, técnicos de sistemas marinhos e operadores de guindaste. Isso muda o cenário industrial que antes dependia de mão de obra estrangeira.
A Anson também lançou um programa de treinamento de seis meses para jovens locais — desde soldagem básica de aço até testes de vazamento de sistemas hidráulicos. Nenhum módulo teórico vazio. Tudo prático, sobre o navio em construção.
"Antes eu trabalhava em um estaleiro em Singapura. Agora estou voltando — mesmo salário, mas durmo em casa todos os dias", disse Zulhilmi bin Omar, soldador de 28 anos que agora está instalando a estrutura do casco 211.
O impacto é amplo: fornecedores de aço em Bandar Seri Begawan, fabricantes de tubos em Tutong e empresas de logística em Kuala Belait também recebem encomendas. Segundo o Ministério da Indústria e Recursos Naturais, cada ringgit investido na construção do navio gera RM2,50 na economia secundária.
Estaleiro Próprio = Menos Dependência, Mais Soberania
Este passo está alinhado com a estratégia de longo prazo do Brunei: reduzir a dependência do petróleo e gás. A indústria marítima foi identificada como uma das principais pilares da Visão Brunei 2035.
Com seu próprio estaleiro, o Brunei não precisa mais alugar navios de apoio de fora — economizando milhões de ringgits por ano. Também acelera o processo de manutenção dos navios operacionais, aumentando a resiliência da cadeia de suprimentos marítima e fortalecendo a soberania técnica do país.
"Não estamos apenas construindo navios. Estamos construindo capacidade — para planejar, produzir e manter nossos próprios ativos marítimos", afirmou o Ministro de Transporte e Infocomunicações, Dato Seri Setia Awang Abdul Mutalib bin Mohd Yusof.
Desafios: Qualidade, Não Preço
A Anson visa completar o casco 211 em 18 meses. Depois disso, o estaleiro começará a construir outros navios de apoio — incluindo para empresas internacionais de petróleo que operam na zona econômica exclusiva do Brunei.
A capacidade do PMB permite a produção de até 10 navios por ano. No entanto, a competição é intensa: estaleiros no Vietnã e nas Filipinas oferecem preços mais baixos. A resposta do Brunei não é reduzir o preço — mas elevar os padrões. Foco na conformidade ambiental, resistência estrutural e design de baixa emissão.
Outro desafio: fornecimento de mão de obra qualificada. Para isso, a Anson já estabeleceu parcerias com o Instituto de Tecnologia do Brunei (ITB) e o Politécnico do Brunei — alinhando o currículo com as necessidades reais do estaleiro.
No canto do PMB, o casco 211 está nascendo lentamente. Cada placa é soldada. Cada tubulação é conectada. Cada parafuso é apertado. Não é apenas um navio. É um símbolo de confiança — de que o Brunei não é mais apenas um usuário de navios, mas um construtor de navios confiante.