A ironia mais fascinante na exploração humana é que sabemos mais sobre a superfície de Marte ou da Lua do que sobre o fundo dos oceanos do nosso próprio planeta. Mais de 80% dos oceanos globais ainda não foram mapeados com resolução detalhada e apenas uma pequena parte já foi vista ou explorada diretamente por humanos ou veículos robóticos.
Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra e têm uma profundidade média de 3.688 metros. O ponto mais profundo conhecido, a Fossa das Marianas no Oceano Pacífico, atinge uma profundidade de 11.034 metros — muito mais profundo do que a altura do Monte Everest. Nessa profundidade, a pressão da água atinge 1.100 vezes a pressão atmosférica — uma pressão que destruiria a maioria dos equipamentos humanos.
Apesar desses desafios, o mais surpreendente é que temos mapas da superfície da Lua e de Marte com resolução muito melhor do que o fundo dos nossos oceanos. Isso ocorre porque o mapeamento dos oceanos requer navios ou veículos subaquáticos lentos e caros para realizar o mapeamento sonar, enquanto a superfície da Lua e de Marte pode ser mapeada a partir da órbita com satélites.
A vida nas profundezas dos oceanos ainda surpreende os cientistas sempre que são investigadas. Os ecossistemas ao redor das fendas hidrotermais no fundo do mar dependem não da luz do Sol, mas da quimiossíntese — um processo em que bactérias produzem energia a partir de compostos químicos. Essa descoberta mudou a forma como pensamos sobre a possibilidade de vida em outros planetas, incluindo a lua Europa da Júpiter, acreditada ter oceanos líquidos sob sua camada de gelo.
