O ferrofluido é um dos materiais mais impressionantes já criados pelos cientistas da NASA na década de 1960. Na verdade, o ferrofluido é um líquido comum (como óleo ou água) que contém partículas muito pequenas de magnetita (óxido de ferro) — geralmente com tamanho de 10 nanômetros — distribuídas uniformemente no líquido com a ajuda de agentes tensoativos para evitar que essas partículas se aglomerem.
Quando não há ímãs próximos, o ferrofluido se comporta exatamente como um líquido comum — ele flui, se espalha e molha as superfícies. No entanto, quando um ímã é aproximado, uma transformação dramática ocorre. As partículas de magnetita no líquido reagem ao campo magnético, fazendo com que o líquido seja fortemente atraído em direção ao ímã. A superfície do ferrofluido forma faixas nítidas chamadas espinhos de Rosensweig — padrões que parecem como um "cacto líquido" dramático.
O fenômeno da formação desses espinhos ocorre devido à competição entre três forças: a força magnética que puxa o ferrofluido em direção ao ímã, a tensão superficial que tenta manter a superfície do líquido lisa e a gravidade. Quando a força magnética supera a combinação da tensão superficial e da gravidade, a superfície torna-se instável e os espinhos se formam em distâncias regulares determinadas pelo equilíbrio dessas forças.
O ferrofluido tem aplicações práticas importantes. A NASA originalmente desenvolveu-o como uma forma de transportar combustível em condições de ausência de gravidade usando ímãs. Hoje, ele é usado em alto-falantes (como resfriador e lubrificante para bobinas de som), em discos rígidos de computadores para impedir a entrada de poeira, em terapia médica (como agente de contraste para ressonância magnética e para tratamento de hipertermia magnética do câncer) e em diversos sistemas sensores.
