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Irã responde às ameaças de Trump: 'Força militar nossa está pronta'

O presidente da câmara iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou a prontidão militar do país diante das ameaças de ataque dos Estados Unidos, após as declarações de Donald Trump acusando Teerã de apoiar o Hezbollah e ameaçando ações militares sem detalhes específicos.

21 Jun 20265 min de leitura40 visualizaçõesPor Aisyah RahmanSouth China Morning Post
Irã responde às ameaças de Trump: 'Força militar nossa está pronta'
Imagem: Imej: Koyos + Ssolbergj + Serg!o (BY-SA) via Openverse
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  • Iran balas ancaman Trump dengan mengatakan angkatan tentera mereka bersedia
  • Kenyataan Trump tidak menyertakan bukti atau jadual tindakan
  • Ketegangan antara Iran dan AS bukanlah krisis baru

Irã responde às ameaças de Trump: 'Força militar nossa está pronta'

O presidente da câmara iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf, emitiu um aviso firme aos Estados Unidos durante uma sessão parlamentar no domingo: "Nossa força militar está pronta para responder." Essa declaração veio em resposta às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, em uma coletiva de imprensa - sem apresentar provas ou cronograma de ações - acusando o Irã de apoiar o Hezbollah no Líbano e ameaçando "atingir o Irã muito fortemente".

"Eles não devem pensar que, se suas ameaças tiverem impacto, eles não estarão em uma situação crítica como hoje? Nós não consideramos as ameaças americanas", disse Ghalibaf. O discurso foi recebido com aplausos pelos deputados, refletindo uma postura firme diante da pressão externa.

Tensões recorrentes, não uma nova crise

As ameaças de Trump não são o início das tensões, mas o episódio mais recente nas relações hostis desde a Revolução Iraniana de 1979. As relações deterioraram-se significativamente após os EUA se retirarem do Acordo Nuclear Iraniano (JCPOA) em 2018 e reimpor sanções econômicas amplas. Em resposta, o Irã aumentou a enriquecimento de urânio acima dos limites estabelecidos pelo JCPOA e expandiu seu programa de mísseis.

Incidentes como o assassinato do general Qasem Soleimani pelas forças americanas em Bagdá em janeiro de 2020 também aprofundaram a convicção de Teerã de que Washington está disposto a usar força militar unilateralmente. No entanto, não há evidências de que as ameaças mais recentes de Trump sejam apoiadas por preparativos operacionais militares reais — elas permanecem no nível retórico.

Força real, pressão real

O Irã possui uma grande força militar com experiência de combate há décadas, incluindo as Forças de Guarda Revolucionárias Iranianas (IRGC), ativas em operações regionais e com uma rede de aliados como o Hezbollah e vários grupos armados no Iraque e Iêmen. O programa de mísseis — especialmente mísseis balísticos de múltiplos estágios — tornou-se um componente principal da estratégia de prevenção de Teerã.

No entanto, a força militar não esconde fraquezas estruturais. A economia iraniana está sob pressão devido às sanções dos EUA: a inflação anual ultrapassa 40%, a taxa oficial de desemprego é quase de 10% (e muito maior entre os jovens), além do valor do rial ter caído mais de 90% desde 2018. Ghalibaf reconheceu esses desafios em seu discurso, mas enfatizou a resiliência através da experiência da Guerra Irã-Iraque (1980–1988): "Nós já passamos por testes mais difíceis, e continuaremos a resistir."

Do lado dos EUA, o discurso duro de Trump surge no contexto político interno — as eleições presidenciais de 2024 estão em andamento — e não foi acompanhado por anúncios sobre novas posições militares, sanções adicionais ou mudanças na doutrina de segurança. Analistas consideram as ameaças como uma tentativa de fortalecer sua posição de negociação, não como um passo rumo a um conflito aberto.

Interferência no petróleo, risco regional

Tensões imediatas afetam os mercados globais de energia. O preço do petróleo Brent subiu mais de US$3 por barril em um dia, atingindo US$85,40 por barril na segunda-feira, impulsionado pela preocupação com interrupções nas exportações através do Estreito de Ormuz — rota para cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo. O Irã já ameaçou fechar o estreito em caso de conflito, embora a execução seja tecnicamente e diplomaticamente complexa.

Países importadores principais como China, Japão e Coreia do Sul — que dependem do petróleo do Oriente Médio — estão aumentando a monitoração de riscos. A China, maior compradora de petróleo iraniano sob as sanções dos EUA, mantém comércio por meio de mecanismos alternativos de pagamento e navios transportadores com identidade clara.

Na própria região, as tensões entre Teerã e Washington aprofundam a instabilidade no Líbano. O Hezbollah, que recebe apoio militar e treinamento das IRGC desde a década de 1980, continua sendo fator de estabilização e fonte de tensão simultaneamente — especialmente nos conflitos Israel-Líbano. No entanto, não há sinais de aumento de ataques transfronteiriços ou escalada direta entre o Irã e Israel até agora.

Espaço para diplomacia ainda está aberto

Apesar do discurso aquecido, os canais diplomáticos não estão totalmente fechados. O Irã ainda participa de negociações indiretas com os EUA no Omã e Catar sobre questões nucleares e prisioneiros. Trump, em declarações posteriores, não rejeitou o diálogo — mas não mencionou condições ou cronogramas.

Para Teerã, a alívio das sanções continua sendo a prioridade principal. Para Washington, a pressão sobre o programa nuclear e atividades regionais do Irã permanece como objetivo principal. Ambos os lados estão atualmente em uma fase de teste de paciência: o Irã está testando até onde os EUA estão dispostos a suportar os custos econômicos e geopolíticos das sanções contínuas; os EUA estão testando se o Irã está disposto a negociar sem condições militares.

Sem progresso real nas negociações, as tensões permanecerão altas — suficientes para perturbar os mercados e fortalecer aliados próximos, mas ainda não suficientes para desencadear um conflito em larga escala.

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