Nova York, 24 de junho — Os Estados Unidos estão enfrentando uma crise crescente de habitação, com o número de pessoas sem teto em cidades grandes como Nova York, Los Angeles, São Francisco, Seattle e Houston atingindo níveis sem precedentes na história moderna. Dados do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos revelaram que, na noite da última contagem, mais de 650.000 pessoas não tinham lugar para morar — um aumento de 15 por cento em relação ao ano anterior.
As causas dessa crise são multifatoriais e complexas. O aumento exorbitante dos preços dos imóveis nas grandes cidades, devido à oferta de habitação insuficiente para atender à demanda, o aumento drástico das taxas de juros dos empréstimos nos últimos anos, cortes nos gastos com programas de assistência social, custos elevados para tratamentos de saúde mental e dependência química — tudo isso se combinou para criar uma tempestade perfeita que empurrou muitos cidadãos americanos para as ruas.
Cidades diferentes adotam abordagens diferentes para lidar com essa crise. Los Angeles segue o modelo "Housing First", que prioriza a oferta de habitação estável para pessoas sem teto antes de tratar outros problemas, como dependência ou saúde mental, baseado em estudos que mostram que ter uma casa estável é pré-requisito para tratar efetivamente outros problemas.
São Francisco está experimentando "habitação com suporte", que combina unidades de habitação acessíveis com acesso fácil a serviços de apoio, como psicoterapia, programas de recuperação de drogas e treinamento de habilidades profissionais. Houston afirma ter obtido sucesso significativo com um programa que combina várias agências governamentais, organizações sem fins lucrativos e setor privado em uma resposta coordenada.
Os debates políticos sobre esse assunto são muito acalorados. O lado conservador tende a enfatizar a aplicação das leis contra acampamentos de pessoas sem teto em áreas públicas e a necessidade de tratar a dependência química e os problemas de saúde mental como pré-requisitos. O lado progressista, por outro lado, se concentra mais na necessidade de construir mais habitação acessível e programas mais abrangentes de auxílio ao aluguel.
