Motocicletas levadas sem aviso
Na terça-feira, 11 de março de 2025, os agentes da Secretaria de Transportes (Dishub) da DKI levaram algumas motocicletas de mototáxis na área de Thamrin, Kebon Sirih e arredores. Testemunhas disseram que os motoristas estavam aguardando passageiros na beira da estrada — não na via principal, nem na faixa de pedestres, nem diante da saída de um prédio. No entanto, os agentes agiram. Nenhuma notificação foi dada. Não houve tempo para desmontar as mercadorias ou mover o capacete.
"Nós só estávamos sentados. Não ligamos o motor, não paramos em locais proibidos. Depois, as motocicletas foram levadas. Nós nem tivemos tempo de perguntar por quê", disse um motorista de Cilincing, que preferiu não revelar seu nome.
A Dishub justificou dizendo que estava estacionando em áreas proibidas. Mas a pergunta é simples — onde mais eles poderiam estacionar? Os pontos específicos para mototáxis no centro da cidade ainda são limitados: apenas 12 locais ativos de um total de 50. A divulgação das novas regras é mínima — não através do aplicativo, nem por grupos do WhatsApp da comunidade, nem por cartazes nos pontos de espera.
Pramono convoca imediatamente o Chefe da Dishub
O governador Pramono Anung reagiu em menos de 24 horas. Na manhã de quarta-feira, 12 de março de 2025, ele realizou uma reunião de emergência no Palácio Municipal. O chefe da Dishub foi chamado — e recebeu instruções claras: devolver todas as motocicletas "naquele mesmo dia". Sem condições. Sem taxas administrativas. Sem declaração escrita.
"Já pedi que todas as motocicletas fossem devolvidas. Esse problema precisa ser resolvido hoje — sem drama, sem vítimas, sem prejuízo adicional para os motoristas", disse Pramono diante da imprensa.
Ele reconheceu a falha do sistema: coordenação entre instituições fraca, comunicação com os motoristas quase nula e abordagem de fiscalização ainda reativa — não preventiva. "Não podemos levar as motocicletas e depois dizer 'é a regra'. As regras devem ser ouvidas, compreendidas e seguidas com justiça", afirmou.
Prejuízo diário, não apenas motocicletas
Para os mototáxis, esse incidente não é sobre perder veículos — mas sobre perder renda. Um dia sem motocicleta significa nenhuma receita. Além disso, há custos de transporte até o depósito da Dishub em Cakung — podendo chegar a Rp150.000 se usar outro mototáxi. Além disso, há taxas de estacionamento, custos de impressão de documentos e tempo perdido.
"Meu prejuízo diário costuma ser de Rp450.000–Rp500.000. Se as motocicletas forem levadas por dois dias, tenho que pegar dinheiro emprestado para pagar aluguel e comprar leite para meu filho", disse Andi, um motorista com 7 anos de experiência da região norte de Jakarta.
A população também sofre as consequências. Em horários de pico, os mototáxis frequentemente são a única opção: rápido, preciso e acessível. Quando o número de motoristas diminui por medo de serem levados, as filas nas aplicações aumentam — e muitos passageiros acabam optando por carros particulares ou ônibus mais lentos.
"Eu uso mototáxis todos os dias. Se eles temem ficar parados, quem vai me levar para o trabalho durante a chuva? Quem vai levar remédios para minha mãe ao hospital?", perguntou Rina, funcionária privada de Menteng.
Promessas concretas, não promessas vazias
Pramono não se limitou a pedir desculpas. Ele anunciou três medidas reais:
- Avaliação das operações de fiscalização em 7 dias — envolvendo representantes da comunidade de mototáxis e aplicativos;
- Aceleração da construção de 38 pontos de estacionamento especializados para mototáxis, começando em abril de 2025, focando em shoppings, estações e hospitais;
- Integração da funcionalidade 'estacionamento seguro' nos aplicativos Gojek e Grab — que dará notificações automáticas quando os motoristas entrarem em zonas proibidas, incluindo direções para os pontos de estacionamento mais próximos.
No entanto, Andi e seus colegas ainda estão esperando. "Boas promessas. Mas precisamos de provas — não discursos", disse ele, enquanto verificava notificações no seu celular.
Esse incidente não é sobre estacionamento. É sobre como uma cidade trata pessoas que são a veia da mobilidade. Jakarta precisa de regras — mas regras que tenham fôlego, ouvidos e empatia.