Voltando para uma Casa que Não Existe
Entre pilhas de concreto e poeira, uma mulher idosa se ajoelha no chão que antes era seu salão. Ela chora, não por felicidade, mas por perceber que a casa que deixou há cinco anos agora não existe mais. "Nós sentimos o horror da guerra", sussurra ela enquanto varre o chão destruído. Essa cena não é apenas uma história; é a realidade de milhares de refugiados palestinos que voltaram para Gaza em 2025, parte de onda de retorno mais grande registrada pelas Nações Unidas.
De acordo com o relatório da ONU, quase 15 milhões de refugiados em todo o mundo escolheram voltar para seus lares em 2025. Mais de 1,2 milhões deles eram cidadãos palestinos que antes perderam suas casas devido aos conflitos recorrentes na Península de Gaza. Esse retorno ocorreu em um ambiente de cessar-fogo frágil, onde muitas áreas ainda não são seguras para serem reocupadas.
Por Que Eles Voltaram?
Para a maioria dos refugiados, a decisão de voltar não foi fácil. Durante anos, viveram em campos superlotados em países vizinhos como Jordânia, Líbano e Egito, esperando por um momento que talvez nunca chegasse. No entanto, 2025 trouxe mudanças. Pressões diplomáticas internacionais, juntamente com promessas de ajuda de reconstrução no valor de bilhões de dólares, impulsionaram muitos a tentar novamente a sorte.
"Nós não queremos mais ser refugiados", disse Ahmad, um pai de três filhos que voltou para o norte de Gaza. "Melhor morrer na nossa terra do que viver como mendigos em outro país." Esses sentimentos ecoaram em cada campo de refugiados. No entanto, a maioria dos que voltaram descobriu que a terra natal que ansiavam era apenas memória. Infraestrutura básica como água potável, eletricidade e escolas ainda estava destruída. A ONU estima que 70% dos prédios em Gaza sofreram danos parciais ou totais.
O Peso do Trauma e da Perda
O retorno não é apenas um desafio físico, mas também psicológico. Muitos que voltaram carregam o trauma da perda de familiares, casas e identidade. "Cada canto me lembra meu filho morto em um bombardeio", disse Fatima, uma mãe que voltou para Khan Younis. Organizações locais de saúde mental relatam um aumento de 300% nos casos de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) entre aqueles que voltaram.
Crianças também não ficaram de fora. Em escolas temporárias montadas sob tendas, muitos alunos têm dificuldade em focar, assombrados pelo medo de ruídos altos. "Eles parecem viver ainda na guerra que já terminou", disse um professor. O processo de cura vai demorar anos, se não décadas.
Desafios de Viver entre os Escombros
Mais de meio milhão de refugiados palestinos que voltaram agora vivem em alojamentos temporários - tendas, contêineres ou casas parcialmente destruídas. A água limpa é escassa, causando surtos de doenças como cólera e disenteria. As autoridades de saúde de Gaza lutam contra a falta de medicamentos e equipamentos médicos, enquanto restrições econômicas ainda impedem a entrada de mercadorias essenciais.
A diplomacia internacional também está avançando lentamente. Embora alguns países como Catar e Turquia tenham enviado ajuda, a quantidade necessária é muito maior. Um relatório do Banco Mundial afirma que a recuperação de Gaza requer pelo menos US$ 12 bilhões em cinco anos. No entanto, até agora, apenas 30% desse valor foi prometido.
Solidariedade e Esperança
Apesar de todas as dificuldades, o espírito de solidariedade permanece vivo. Os residentes que sobreviveram se unem para ajudar na reconstrução das casas. Voluntários de todo o mundo, incluindo a Malásia, também fornecem ajuda médica e apoio psicológico. "Não podemos deixá-los sozinhos", disse um trabalhador humanitário da Organização Mundial da Saúde.
No meio dos escombros, sinais de vida começam a surgir. Pequenas barracas vendem pão, mercados agrícolas modestos e crianças brincam nas ruas - tudo isso prova que a vida continua batendo. "Nós passamos pelo inferno, mas estamos aqui", disse um jovem enquanto consertava o telhado de sua casa. "Esta é nossa terra. Não iremos embora novamente."
Visão para o Futuro: O Que é Necessário?
Para garantir que esse retorno seja duradouro e digno, alguns passos importantes precisam ser tomados. Primeiro, o cessar-fogo precisa ser mantido e institucionalizado como uma paz duradoura. Segundo, a comunidade internacional precisa cumprir suas promessas de ajuda sem quaisquer condições políticas. Terceiro, esforços de apoio psicossocial precisam ser intensificados para tratar o trauma generalizado.
Ao mesmo tempo, os palestinos exigem que seus direitos para decidir seu próprio destino sejam plenamente reconhecidos. "Nós não queremos ser apenas números estatísticos", disse um líder comunitário local. "Queremos viver com dignidade, sobre a terra herdada de nossos avós."
Essa história de retorno é um lembrete de que a guerra não termina apenas com um cessar-fogo. Ela termina quando cada vítima pode voltar a viver em paz, em uma casa segura, com esperança intacta. Para milhões de refugiados palestinos, essa jornada ainda é longa. No entanto, cada passo em direção à casa - mesmo que apenas um passo - é uma vitória.
*Este artigo baseia-se em relatórios da Al Jazeera, bem como dados da ONU e outras organizações humanitárias.*
