Tokyo, 24 de junho — A cultura de trabalho japonesa, famosa pelo conceito de 'karoshi' (morte causada por excesso de trabalho) e pela obrigação de trabalhar horas extras com frequência, está passando pela maior transformação em toda a história do trabalho moderno neste país. Grandes empresas japonesas, que antes eram rígidas com uma cultura corporativa muito formal, estão agora adotando ativamente políticas de trabalho flexíveis e remoto, permitindo que os funcionários trabalhem de qualquer lugar do mundo.
Sony, Panasonic, Fujitsu e Hitachi são alguns dos nomes importantes que já anunciaram políticas permanentes de "trabalhar de qualquer lugar" para certos funcionários em suas empresas. Isso não é apenas permitir o trabalho em casa, mas literalmente permitir que os funcionários se registrem como residentes em qualquer parte do mundo enquanto continuam servindo essas empresas japonesas.
Essa mudança foi impulsionada por pressões acumuladas. A grave queda na população jovem tornou a competição por talentos jovens mais intensa. As empresas japonesas perceberam que, se não oferecessem flexibilidade de trabalho equivalente às empresas globais da Silicon Valley ou da Europa, continuariam perdendo os melhores graduados para concorrentes estrangeiros.
Além disso, o aumento drástico da migração interna para áreas rurais e cidades pequenas, provocado pela pandemia, também incentivou as empresas a se adaptarem. Funcionários que apreciaram uma melhor qualidade de vida fora das cidades não querem voltar para a vida diária de transporte para Tokyo ou Osaka, e as empresas que desejam mantê-los precisam adotar políticas de trabalho.
Estudos iniciais mostram que a produtividade não diminuiu — na verdade, em muitos casos aumentou — quando os funcionários têm flexibilidade para decidir onde e quando trabalham. Isso confirma o que pesquisadores globais descobriram há muito tempo, que a produtividade está mais relacionada à autonomia e motivação do que à presença física no escritório.
Essa mudança cultural no trabalho é esperada ter impactos amplos e de longo prazo na sociedade japonesa — desde a redistribuição mais equilibrada da população entre cidades e áreas rurais, até o aumento do equilíbrio entre vida profissional e pessoal, até a redução das taxas crônicas de isolamento social.
