Osaka, 24 de junho — Dentro de um prédio de cinco andares que parece uma fábrica do lado de fora, centenas de camadas de alface, espinafre e ervas frescas crescem abundantemente sob a luz LED vermelha-azul que ilumina cada polegada do espaço disponível. Este é um dos mais de 350 campos de cultivo em ambiente fechado ou "fábricas de plantas" que agora operam em todo o Japão, tornando este país o líder global inigualável na tecnologia agrícola urbana.
O Japão escolheu esse caminho de agricultura em ambiente fechado não apenas por desejo de inovar, mas por necessidades muito reais. Mais de 70% da área do Japão é montanhosa e inadequada para a agricultura, tornando os terrenos agrícolas escassos e caros. Além disso, desastres naturais como tempestades e terremotos frequentes podem destruir repentinamente as colheitas convencionais, ameaçando o abastecimento alimentar do país.
As fazendas em ambiente fechado ou "fábricas de plantas" superam todos esses desafios ao oferecer um ambiente de crescimento totalmente controlado. Temperatura, umidade, teor de CO2 e espectro da luz são otimizados exatamente para cada tipo de planta, resultando em crescimento muito mais rápido do que a agricultura ao ar livre. Um ciclo de produção desde a semente até a colheita para vegetais folhosos como alface leva apenas 35 dias, contra 60-90 dias nas fazendas convencionais.
O uso de água é uma pequena fração da agricultura convencional — os sistemas hidropônicos ou aeropônicos usados reciclam quase toda a água, reduzindo o consumo em até 95%. Nenhum pesticida é necessário, pois insetos perigosos não conseguem entrar no ambiente fechado, produzindo produtos totalmente livres de pesticidas.
A qualidade e a consistência dos produtos produzidos são outras vantagens que não podem ser superadas pela agricultura convencional. Cada pacote de alface que sai dessa fazenda tem sabor, textura e conteúdo nutricional quase idênticos, atendendo aos requisitos rigorosos de restaurantes e supermercados premium que exigem matérias-primas de qualidade uniforme.
Essa tecnologia está sendo exportada para todo o mundo pelas empresas japonesas que veem grandes oportunidades nos países que enfrentam problemas de segurança alimentar, escassez de água e climas imprevisíveis devido às mudanças climáticas.
