Andando pela calçada, desgastado sob a chuva de asfalto
Próximo ao mercado Senen, dois ondel-ondel andam com dificuldade. Sua altura é de três metros, mas sua aura está desbotada — a tinta da face descascou, o vestido está opaco e a coroa está rachada. Rojak (45), seu portador, limpa o suor. "Desde a pandemia, não trocamos o traje. Agora, o valor das apresentações é apenas suficiente para comprar um prato de arroz enrolado", diz ele. Esta cena não é uma exceção. Ícones Betawi que antes decoravam casamentos e festivais agora estão mais frequentemente parados nos semáforos, estendendo caixas plásticas.
Mas a esperança começa a surgir. A Prefeitura de DKI Jacarta, através da Secretaria de Turismo e Economia Criativa, lançou um grande projeto: 500 ondel-ondel serão decorados por designers renomados. "Este não é apenas um reestilização. É uma renascença — devolver os ondel-ondel como embaixadores culturais, não como mendigos nas ruas", disse o chefe da secretaria, Andi Permana, em coletiva de imprensa no Balai Kota, quarta-feira (15/1).
De Anne Avantie até Cinta Laura: designers que escolheram bambu
A lista de designers envolvidos não são nomes comuns. Há Anne Avantie - a mestra dos trajes - que escolheu o padrão megamendung com seda reciclada. Há Didiet Maulana, que enfatiza a função: cada costura deve resistir aos balanços, cada dobra deve facilitar os passos. E há Cinta Laura Kiehl, que propõe o princípio *lightweight heritage*: reduzir a carga sem perder a grandiosidade.
Eles se juntaram a um grupo de 20 designers, cada um recebendo 25 ondel-ondel. Tema principal: "Jakarta: Glokal-Santun" - combinação de batik de recorte, bordado de fio dourado Betawi e silhuetas contemporâneas. "Quero que o público diga: 'Uau, são ondel-ondel, mas tão estilosos?'. Mas ainda podem dançar duas horas sem colapsar", disse Anne.
O processo começa em março de 2025 no Sanggar Bambu Betawi, em Jakarta Timur. Lá, 100 artesãos locais trabalharão juntos — costureiros, fabricantes de acessórios, pintores de bambu, até especialistas em ventilação de bonecas. Orçamento total: Rp 7,5 bilhões, proveniente do orçamento municipal e apoio privado. "Este é um trabalho real. Não é apenas sobre roupas, mas também sobre empregos medidos", afirmou Andi.
Quando bonecos gigantes se tornam vítimas do tempo
Ondel-ondel não são brinquedos. Eles são patrimônio imaterial da UNESCO desde 2015 — bonecos gigantes feitos de cana que, antigamente, eram guardiões da aldeia, acompanhantes de noivos e símbolos de orgulho da cidade.
No entanto, desde o início dos anos 2000, seu prestígio caiu. A aculturação, restrições de permissão para apresentações em espaços públicos e estigma social os deixaram marginalizados. "As crianças Betawi agora têm vergonha de chamar os ondel-ondel de parte de sua identidade. Elas conhecem mais TikTok do que a dança lenong", lamenta o pesquisador cultural Yahya Andi Saputra.
Dados da Secretaria de Cultura de DKI mostram: em 2023, apenas 1.200 ondel-ondel ativos foram registrados em Jacarta — uma queda de 60% em comparação com 2010. Destes, apenas 150 aparecem em eventos oficiais. O restante: propriedade fotográfica em shoppings ou músicos de semáforo.
"Queremos inverter essa narrativa. Os ondel-ondel não são entretenimento barato. Eles são um arquivo vivo de Jacarta", diz Andi.
Reestilização que não traí o corpo do dançarino
Reestilizar os ondel-ondel não é apenas colar adesivos. A equipe de designers realizou pesquisa ergonômica por três meses. O peso de um ondel-ondel adulto atinge 50 kg — equivalente ao peso de duas pessoas adultas. Assim, as costas foram reengenhadas para distribuir uniformemente a pressão. Ventilação foi criada no peito e nas costas. Furos nos olhos foram equipados com vidros anti-embaçamento.
Os materiais também foram escolhidos cuidadosamente: tinta baseada em folhas de mangueira e cúrcuma, tecidos reciclados de resíduos de confecção, e cana renovável de Bogor. Cada ondel-ondel também terá uma identidade única — nome, número de série e história por trás do padrão. Um deles se chama *Si Jago*, com tema do Mercado Novo com padrão cestas e tecidos rasgados. Outro é *Emas Monas*, coberto com pó de ouro reciclado e padrão ornamentos de pilar.
"Este não é apenas um novo boneco. É um ecossistema: designers, costureiros, vendedores de souvenirs, até professores de arte que ensinarão às crianças como fazer miniaturas de ondel-ondel a partir de papelão reciclado", explica Didiet.
Ondel-Ondel glamoroso, e esperanças mais leves
A comunidade Ondel-Ondel Betawi Jakarta (OOBJ) já preparou seu primeiro evento: festival "Ondel-Ondel Glamoroso" em agosto de 2025 no Taman Ismail Marzuki. Todos os 500 bonecos estarão presentes — não em formação estática, mas em uma dança coletiva de 25 minutos.
Enquanto isso, na beira da estrada, Rojak abre seu celular. Ele mostra a notícia para seu amigo. "Se meu ondel-ondel for decorado por Anne Avantie, talvez o valor suba para Rp 500 mil. Meu filho pode comprar um novo sapato escolar", diz ele, sorrindo.
Para Jacarta, este projeto não é apenas sobre estética. É uma tentativa de restaurar o pulso cultural no meio do concreto e da velocidade. Quando os ondel-ondel com trajes encim de seda moderna andarem em Ancol ou Monas, a cidade voltará a ouvir: *Ondel-ondel ade ndel-ndel* — ele não é um boneco. Ele é a alma Betawi que não desaparece com o tempo.