A sociedade Kogi, ou Kágaba em sua língua, que significa 'tigre estrelado', é uma das tribos indígenas da Colômbia que reside na região das montanhas Sierra Nevada de Santa Marta. Com uma população estimada em cerca de 15.820 pessoas segundo o censo de 2018, eles herdam a tradição da civilização Tairona, que existiu antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Sua cultura continua evoluindo desde a era pré-colombiana, apesar de críticas às visões que os consideram 'elevados selvagens' sem levar em conta a história de interações e tensões na região.
Língua e Identidade
A língua Kogi pertence à família linguística Chibchan e está estreitamente relacionada às línguas de outras tribos nas montanhas Sierra Nevada, como Arhuaco e Ika. É uma língua oral principal, mas esforços foram feitos para desenvolver um sistema de escrita para fins educacionais e preservação cultural. Esta língua é um elemento importante da identidade Kogi, usada na comunicação diária, rituais e ensino de conhecimentos ecológicos tradicionais, incluindo práticas agrícolas e crenças espirituais.
História e Origem
A tribo Kogi é descendente da civilização Tairona avançada, conhecida pela construção de estruturas de pedra e caminhos na floresta, bem como pela produção de objetos de ouro. Antes da chegada dos conquistadores espanhóis, os Tairona tiveram que se mudar para as terras altas devido aos ataques das tribos Carib por volta do ano 1000 d.C. Essa nova área provou ser estratégica quando os espanhóis chegaram no século XV. Missionários posteriormente influenciaram seu estilo de vida ao construir capelas e igrejas para converter a população local. No entanto, a vida nas montanhas permitiu que eles evitassem os piores efeitos da colonização e mantivessem seu estilo de vida tradicional.
Crença Espiritual
Os Kogi baseiam sua vida na crença em 'Aluna', o pensamento 'Mãe Suprema' considerada criadora. A Mãe Suprema é chamada de 'Gaulčováng' e acredita-se que tenha criado o universo a partir de um oceano primal com base nas imagens que existiam em sua mente. A relação incestuosa entre a Mãe Suprema e seu filho Sintána gerou a humanidade. A Terra é considerada um ser vivo e os humanos são seus 'filhos'. As ações de exploração e destruição dos recursos naturais pelos humanos modernos são vistas como enfraquecendo a Mãe Suprema e levando à destruição.
Seu monte sagrado, Gonawindua (Pico Cristóbal Colón), é considerado o 'Coração do Mundo'. Os Kogi se chamam de 'Irmão Velho' que protege este mundo, enquanto as civilizações externas são os 'Irmãos Jovens' que foram enviados do Coração do Mundo. Desde o nascimento, os membros da sociedade Kogi são treinados para se tornarem mamo (líderes espirituais) responsáveis por orientação, cura e liderança. Os mamo passam por treinamentos rigorosos desde a infância, geralmente antes dos cinco anos, em locais remotos e altos. Eles são ensinados a superar desejos mundanos através de restrições sexuais, alimentares, de sono e de vida noturna. Por meio de concentração profunda, apresentações simbólicas e previsões, os mamo acreditam que sustentam o equilíbrio e a criatividade do mundo.
Cosmologia e Conceito Sociorreligioso
A religião tradicional Kogi está intimamente ligada à estrutura cósmica expressa em dualidades. O sol divide o universo em dois hemisférios: leste/oeste e depois direita/esquerda. Este conceito dualista é usado para explicar divisões mundanas como homem/mulher, quente/frio, claro/escuro. Cada par é um oposto que se complementa. Em termos de bem/mal, os Kogi acreditam que cometer um pecado ocasional justifica a existência do bem. Quatro segmentos de direção (norte/sul/leste/oeste) estão associados ao conceito de bem/mal, influenciando a disposição das aldeias, clãs e divisão da Sierra Nevada. Na casa ritualística, uma linha é desenhada no centro do círculo dividindo os homens em lado esquerdo (que 'sabe mais') e direito (que 'sabe menos'). O centro do círculo é um ponto importante onde os mamo plantam quatro oferendas sagradas e 'conversam com Deus'. A cosmologia Kogi adiciona três dimensões: Zênite, Nadir e Centro, formando nove camadas de desenvolvimento como um ovo cósmico que representa o útero da Mãe Suprema.
Rituais Funerários
A morte não é vista como uma tragédia, mas como 'realização da vida'. O processo de sepultamento leva cerca de duas horas sem orações ou canções. Este ritual é uma ação de 'cosmização' em que o mamo devolve o falecido ao útero da Mãe Suprema. Entre os componentes do ritual, o corpo é colocado em posição flexionada em uma rede, com cordas amarradas nos cabelos simbolizando a placenta e o cordão umbilical. O corpo é colocado ao lado esquerdo com a cabeça virada para leste. Ofertas são colocadas ao lado, no centro e no topo da cova, relacionadas ao ponto sagrado. Após nove dias, acredita-se que a alma seja reencarnada em outro mundo.
Estilo de Vida e Tradições
Os homens Kogi recebem poporo quando atingem a idade adulta. Poporo é um pequeno abacate contendo pó de gesso usado junto com folhas de coca mastigadas. Esta tradição os conecta à natureza. Roupas brancas simbolizam a Mãe Suprema e a pureza da natureza. Eles vivem em aldeias circulares chamadas Kuibolos, com cabanas redondas de pedra, lama e folhas de palmeira. Os homens vivem separados das mulheres e crianças. Cada aldeia tem uma grande cabana (nuhue) acessível apenas aos homens para discussões e decisões. As mulheres são consideradas mais próximas da Mãe Suprema e não precisam entrar no templo. O casamento é normalmente organizado pelos mamo para garantir uma sociedade fértil, mas sem coerção.
Kogi Contemporâneos
Os Kogi praticam agricultura itinerante, com cada família cultivando campos em diferentes altitudes das Sierra para satisfazer suas necessidades. Eles também criam gado nas terras altas. Em 2012, os Kogi colaboraram com o diretor de filmes Alan Ereira para produzir o documentário 'Aluna', continuação do documentário BBC de 1990 'From the Heart of the World: Elder Brother's Warning'. No filme, eles expressam preocupações com os humanos modernos (Irmãos Jovens) sobre mudanças climáticas aceleradas e poluição de cemitérios como causas de mudanças climáticas e destruição do mundo. Embora os alertas iniciais tenham sido ignorados, os Kogi continuam desempenhando o papel de 'Irmão Velho' protegendo o equilíbrio natural.
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*Sobre a fonte original: [en.wikipedia.org](https://en.wikipedia.org/wiki/Kogi_people)*
