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Peixe Místico Vive 7 Km Sob a Água — Olhos Carecas Mas Consegue 'Ver'

Em profundidades oceânicas escuras, existe um peixe estranho chamado Holcomycteronus profundissimus. Quase cego, de cor amarela pálida, e apenas 22 cm de comprimento — mas consegue sobreviver à pressão da água que pode destruir um submarino. Qual é o segredo por trás de sua existência?

28 Jun 20267 min de leitura0 visualizaçõesPor Redaksi KhatulistiwaWikipedia — Holcomycteronus profundissimus
Peixe Místico Vive 7 Km Sob a Água — Olhos Carecas Mas Consegue 'Ver'
Imagem: Foto: Wikipedia — Holcomycteronus profundissimus (CC BY-SA 4.0)
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Quem É Holcomycteronus Profundissimus?

Holcomycteronus profundissimus, também conhecido como Grimaldichthys profundissimus, é uma espécie de peixe oceânico profundo que pertence à família cusk-eel (Ophidiidae). Em linguagem local, é chamado de Grimaldis slangekvabbe (Dinamarca), Grimaldikala (Finlândia) e Pesce di Grimaldi (Itália). O último nome é uma homenagem ao príncipe de Mônaco, Alberto I, que era conhecido por suas expedições oceanográficas no século XX.

Este peixe foi descoberto pela primeira vez na década de 1890 por uma expedição do Príncipe de Mônaco, em profundidades extremas — mais de 7.000 metros abaixo da superfície da água. Em comparação com peixes comuns, ele é pequeno: apenas cerca de 22 cm de comprimento. No entanto, não se engane com seu tamanho; ele é um dos peixes mais misteriosos e difíceis de estudar do mundo.

Por Que Este Peixe É Quase Cego? É Verdadeiramente Cego?


Uma das características mais interessantes de Holcomycteronus profundissimus é seus olhos rudimentares — ou seja, olhos que ainda existem, mas são muito pequenos e quase não funcionam. Em profundidades tão grandes, a luz solar direta não chega. Então, por que precisaria de olhos perfeitos? A evolução cortou esses órgãos desnecessários para economizar energia. Olhos que não funcionam são apenas um vestígio (resto da evolução) que não é mais necessário.

No entanto, não pense que este peixe é completamente cego. Embora seus olhos sejam pequenos, ele pode ainda detectar uma pequena mudança na luz bioluminescente — luz produzida por organismos oceânicos profundos. Isso ajuda a evitar predadores ou encontrar presas na escuridão eterna. Estudos mostram que peixes oceânicos profundos frequentemente compensam a cegueira com outros sentidos mais agudos, como o olfato ou a pressão.

Como Este Peixe Consegue Sobreviver à Pressão da Água que Pode Destruir um Submarino?


Imagine a pressão em uma profundidade de 7 km: é equivalente a 700 vezes a pressão atmosférica na superfície da água. Para humanos, essa pressão seria destrutiva, quebrando os pulmões e os ossos em um instante. No entanto, Holcomycteronus profundissimus adaptou seu corpo de maneira incrível:
  • Corpo macio e flexível: Este peixe não tem um esqueleto rígido que possa quebrar. Em vez disso, seu corpo está cheio de tecido macio e líquido que tem a mesma pressão que a água ao seu redor.
  • Enzimas estáveis em alta pressão: Todas as enzimas em seu corpo foram adaptadas pela evolução para funcionar em pressões extremas. Se forem trazidas à superfície, essas enzimas falharão e o peixe morrerá.
  • Bolsa de nadadeira modificada: Em vez de usar uma bolsa de nadadeira para flutuar, como os peixes comuns, os peixes oceânicos profundos frequentemente têm bolsas de nadadeira cheias de gordura (que são mais estáveis em alta pressão) ou simplesmente não as têm.

Além disso, a temperatura em essa profundidade é apenas alguns graus Celsius acima do ponto de congelamento. O metabolismo desse peixe é muito lento — ele pode viver com pouca oxigênio e comida.

O Que Este Peixe Comer em Fundo do Mar Vazio?


O fundo do mar, especialmente as fossas oceânicas, é um deserto de comida. No entanto, Holcomycteronus profundissimus adaptou-se a uma dieta muito específica. Ele é considerado um predador oportunista — ele come qualquer coisa que caia da camada superior da água. Isso inclui:
  • Neve marinha (marine snow): Fragmentos de matéria orgânica morta, como plancton, fezes de peixes e tecido que flutuam para baixo.
  • Crustáceos pequenos: Como anfípodes e isópodes que também vivem no fundo do mar.
  • Restos de animais: Se um peixe ou um polvo morrer e cair na fossa, ele será um banquete luxuoso.

Sua boca pequena, mas equipada com dentes finos, permite que ele capture presas menores do que ele mesmo. Estudos sobre o conteúdo do estômago desse peixe (embora seja raro) mostram que ele também pode comer larvas invertebradas que vivem no sedimento do fundo do mar.

Por Que Este Peixe É de Cor Amarela Pálida? É um Camuflagem Especial?


A cor amarela pálida ou amarelo-pálido de Holcomycteronus profundissimus é outro mistério. Em geral, os peixes oceânicos profundos tendem a ser pretos, prateados ou vermelhos escuros — todas as cores que ajudam a se esconder na luz azul-hoje que entra em profundidades moderadas. No entanto, em uma profundidade de 7 km, quase não há luz direta. Então, a cor pode ser menos importante.

Existem duas teorias:

  • Pigmentos protetores: A cor amarela pode ser causada pela presença de pigmentos carotenoides que são obtidos da dieta (por exemplo, de crustáceos que comem algas). Esses pigmentos podem atuar como antioxidantes contra a pressão oxidativa no ambiente de alta pressão.
  • Resíduos de processos biológicos: Ou talvez a cor seja apenas um efeito colateral de seu metabolismo lento e sem função específica — um desvio evolutivo neutro.

O que é certo é que essa cor o torna fácil de identificar para os cientistas quando ele é capturado em uma rede ou câmera do fundo do mar.

Por Que Nós Raramente Encontramos Este Peixe? É Quase Extinto?


Holcomycteronus profundissimus é muito raro devido a várias razões:
  • Hábitat extremo: As fossas oceânicas são muito difíceis de alcançar. Só alguns navios de pesquisa com tecnologia avançada podem enviar ROVs (veículos de controle remoto) ou redes para essas profundidades.
  • População pequena: A área da fossa pode apenas sustentar uma população muito pequena devido à falta de alimento.
  • Métodos de captura destrutivos: A maioria dos espécimes coletados é de redes de pesca danificadas — a mudança drástica de pressão da fossa para a superfície frequentemente mata o peixe antes de ele ser resgatado.

Até agora, apenas algumas dezenas de espécimes foram coletados desde sua descoberta. A IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) ainda não o classificou devido à falta de dados. No entanto, a ameaça contra ele pode vir da poluição plástica nas fossas oceânicas (plásticos microscópicos foram encontrados no sistema digestivo de crustáceos de fossa) e do aquecimento global que afeta a distribuição de nutrientes para o fundo do mar.

É verdade que este peixe tem alguma conexão com a lenda do 'Príncipe de Mônaco'?


O nome da espécie, profundissimus, significa 'o mais profundo' em latim. Enquanto o sinônimo Grimaldichthys se refere à Família Grimaldi — uma família real de Mônaco. O Príncipe Alberto I (1848–1922) era um oceânico apaixonado. Ele liderou várias expedições ao Mar Mediterrâneo e Atlântico, usando seu navio equipado com equipamentos científicos.

Durante a expedição de 1890, sua rede capturou esse peixe estranho de uma profundidade que nunca foi alcançada antes. Como homenagem, os cientistas o nomearam Grimaldichthys profundissimus. Embora esse nome seja agora considerado sinônimo, ele ainda é lembrado na história da ciência como um símbolo da coragem humana em explorar as profundezas do mar.

Qual é o Futuro da Pesquisa sobre Esse Peixe?


Devido ao avanço da tecnologia de ROVs como Kaiko (Japão) e Nereus (EUA), os cientistas agora podem estudar as fossas oceânicas de maneira mais próxima. Missões como a Five Deeps Expedition (2019) conseguiram gravar vídeos de peixes oceânicos profundos em profundidades de 7.000m+. É provável que encontremos mais espécimes de Holcomycteronus profundissimus no futuro.

Os pesquisadores agora estão interessados em estudar sua genética — como ele se adapta à pressão alta, ao frio e à falta de oxigênio. A compreensão disso pode ajudar em áreas como biotecnologia, como a produção de enzimas de alta pressão para a indústria farmacêutica ou alimentícia.

Conclusão: Peixe Pequeno, Mistério Grande


Holcomycteronus profundissimus provou que, em um canto mais remoto do planeta, a vida ainda existe — e é muito mais estranha do que imaginamos. Com olhos quase cegos, cor amarela pálida e corpo flexível, ele é um exemplo perfeito de como a evolução cria maravilhas em pressões extremas. Quem diria que um peixe pequeno de 22 cm pode guardar segredos que mudam a forma como vemos a vida em nosso planeta?

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