A Excavação que Sacudiu o Mundo da Arqueologia
No início do século XX, em uma colina chamada Byblos — uma antiga cidade portuária que agora se encontra cerca de 40 quilômetros ao norte de Beirute — um grupo de arqueólogos franceses liderados por Maurice Dunand começaram a realizar escavações sistemáticas. Eles não imaginavam que a terra que estavam cavando esconderia um tesouro inacreditável: mais de 1.500 figuras de nazar (ex-voto) feitas de bronze, prata e liga de cobre. Essas figuras, agora conhecidas como 'figuras de Byblos' ou 'figuras fenícias', foram encontradas principalmente no Templo do Obelisco, um local sagrado dedicado ao deus Resheph, deus da guerra e do raio. Além disso, um pequeno número de figuras também foi encontrado em templos próximos dedicados à Baalat Gebal, deusa protetora de Byblos.
Essa descoberta ocorreu entre as décadas de 1920 e 1930, quando o Líbano ainda estava sob mandato francês. Os escavadores encontraram 20 depósitos de nazar (votive deposits) e vasos de barro que guardavam essas pequenas coleções, colocados com cuidado como se fossem oferendas aos deuses. O estado das figuras era extremamente bem preservado, apesar de ter mais de 3.500 anos. Isso é uma maravilha arqueológica rara.
O Templo do Obelisco: Ponto de Culto do Tempo de Bronze
O Templo do Obelisco em Byblos não é um templo comum. Seu nome vem de várias colunas de pedra retas (obeliscos) encontradas no local do templo, que podem representar a conexão entre o mundo humano e os deuses. O templo foi construído no Meio Bronze (cerca de 2000-1600 a.C.) e se tornou o centro de culto principal em Byblos. É aqui que os fiéis fenícios deixavam as suas figuras de nazar como uma forma de agradecimento, pedido ou nazar.
Cada figura representa uma figura humana que está adorando — as mãos levantadas, os pés abertos ou as mãos colocadas no peito. Algumas usam chapéus altos ou roupas longas, mostrando status social ou papel religioso. Há também figuras de animais, como touros e cabras, que podem ter sido oferecidas para pedir fertilidade ou coragem. A presença dessas figuras em vasos bem arrumados mostra que as cerimônias de culto nesse templo eram muito regulares e contínuas ao longo de séculos.
Técnica de Fabricação e Diversidade de Materiais
A fabricação dessas figuras exigia habilidades altas em metalurgia. O material principal é bronze (liga de cobre e chumbo), mas também há algumas feitas de prata puro ou liga de cobre com níquel. A técnica usada é a técnica de cera perdida (lost-wax casting), onde um modelo de cera é revestido com argila, aquecido para remover a cera e preenchido com metal líquido. Depois de esfriar, o molde é quebrado e a figura resultante é refinada com uma escultura manual.
O que é interessante é que essas figuras não são todas iguais. Algumas são muito pequenas, apenas alguns centímetros, enquanto outras alcançam 20 centímetros de altura. A diferença de tamanho pode refletir a capacidade econômica do doador — figuras maiores e feitas de prata podem ter sido oferecidas por pessoas ricas, enquanto figuras de bronze menores são para o povo comum. Isso mostra que o templo era aberto a todas as camadas da sociedade.
Função Religiosa e Simbolismo
Essas figuras não são apenas decorações. Na crença fenícia, as figuras de nazar serviam como intermediários entre o homem e o deus. Quando alguém fazia uma oração, eles deixavam uma figura no templo como 'representante' de si mesmos. A figura continuaria 'orando' para os deuses por toda a eternidade, pois era acreditado que os deuses sempre veriam a oferenda. Isso é uma prática semelhante àquela feita por outras culturas do Oriente Médio Antigo, como a Mesopotâmia e o Egito.
Outro símbolo interessante é a posição das mãos das figuras. A maioria das figuras é representada com as mãos levantadas, os pés abertos para frente. Isso é um sinal de adoração comum naquela época, também visto em relevos e pinturas de paredes em toda a Levante. Talvez as figuras também tenham sido colocadas em altares ou paredes do templo, como uma linha de soldados espirituais que continuam a adorar os deuses.
Legado e Influência na Era Moderna
Hoje, as figuras de Byblos não são apenas objetos de estudo arqueológico, mas também um símbolo da identidade do Líbano. O Ministério de Turismo do Líbano adotou essas figuras como seu logotipo oficial. A imagem da pequena figura de bronze pode ser vista no site do ministério, em folhetos de turismo e até em placas de aeroportos. Isso mostra como o legado fenício que tem mais de 3.000 anos ainda é relevante na formação da imagem de um país moderno.
A maioria dessa coleção agora está guardada no Museu Nacional de Beirute, enquanto algumas figuras também estão no Museu do Louvre em Paris. Cada ano, milhares de visitantes vêm para ver essas figuras, que não apenas são bonitas, mas também contam a história de crenças, arte e vida da sociedade fenícia. Em 2019, uma exposição especial em Beirute apresentou essas figuras, atraindo a atenção internacional e lembrando o mundo da riqueza histórica do Líbano que não tem preço.
Conclusão: O Sussurro do Tempo de Bronze
As figuras de Byblos são mais do que apenas artefatos. Eles são a voz do passado, o sussurro dos comerciantes, agricultores e sacerdotes que viviam há mais de 3.000 anos. Cada figura carrega uma história de esperança, medo e gratidão. Em silêncio, elas continuam a orar pelos que já não estão mais. E agora, elas se tornaram uma ponte que nos conecta com a civilização fenícia que um dia dominou o mar e espalhou a escrita por todo o mundo. Talvez, por trás de cada figura, haja uma oração que ainda não foi respondida.
Milhar de Figuras de Bronze Antigas Descobertas em Templo Fenício — Qual é o Mistério por Trás da Oferecer Estas Mãos?. Bem abaixo da camada de poeira do tempo, os arqueólogos encontraram mais de 1.500 figuras pequenas que foram oferecidas como nazar em templos fenícios no Líbano. As figuras de bronze, prata e cobre são do segundo milênio antes de Cristo e são consideradas a melhor coleção em toda a Levante. A maioria foi encontrada no Templo do Obelisco em Byblos, junto com vasos que guardavam essas pequenas coleções. Agora, as figuras se tornaram um símbolo do Ministério de Turismo do Líbano.. A Excavação que Sacudiu o Mundo da Arqueologia
No início do século XX, em uma colina chamada Byblos — uma antiga cidade portuária que agora se encontra cerca de 40 quilômetros ao norte de Beirute — um grupo de arqueólogos franceses liderados por Maurice Dunand começaram a realizar escavações sistemáticas. Eles não imaginavam que a terra que estavam cavando esconderia um tesouro inacreditável: mais de 1.500 figuras de nazar ex-voto feitas de bronze, prata e liga de cobre. Essas figuras, agora conhecidas como 'figuras de Byblos' ou 'figuras fenícias', foram encontradas principalmente no Templo do Obelisco, um local sagrado dedicado ao deus Resheph, deus da guerra e do raio. Além disso, um pequeno número de figuras também foi encontrado em templos próximos dedicados à Baalat Gebal, deusa protetora de Byblos.
Essa descoberta ocorreu entre as décadas de 1920 e 1930, quando o Líbano ainda estava sob mandato francês. Os escavadores encontraram 20 depósitos de nazar votive deposits e vasos de barro que guardavam essas pequenas coleções, colocados com cuidado como se fossem oferendas aos deuses. O estado das figuras era extremamente bem preservado, apesar de ter mais de 3.500 anos. Isso é uma maravilha arqueológica rara.
O Templo do Obelisco: Ponto de Culto do Tempo de Bronze
O Templo do Obelisco em Byblos não é um templo comum. Seu nome vem de várias colunas de pedra retas obeliscos encontradas no local do templo, que podem representar a conexão entre o mundo humano e os deuses. O templo foi construído no Meio Bronze cerca de 2000-1600 a.C. e se tornou o centro de culto principal em Byblos. É aqui que os fiéis fenícios deixavam as suas figuras de nazar como uma forma de agradecimento, pedido ou nazar.
Cada figura representa uma figura humana que está adorando — as mãos levantadas, os pés abertos ou as mãos colocadas no peito. Algumas usam chapéus altos ou roupas longas, mostrando status social ou papel religioso. Há também figuras de animais, como touros e cabras, que podem ter sido oferecidas para pedir fertilidade ou coragem. A presença dessas figuras em vasos bem arrumados mostra que as cerimônias de culto nesse templo eram muito regulares e contínuas ao longo de séculos.
Técnica de Fabricação e Diversidade de Materiais
A fabricação dessas figuras exigia habilidades altas em metalurgia. O material principal é bronze liga de cobre e chumbo , mas também há algumas feitas de prata puro ou liga de cobre com níquel. A técnica usada é a técnica de cera perdida lost-wax casting , onde um modelo de cera é revestido com argila, aquecido para remover a cera e preenchido com metal líquido. Depois de esfriar, o molde é quebrado e a figura resultante é refinada com uma escultura manual.
O que é interessante é que essas figuras não são todas iguais. Algumas são muito pequenas, apenas alguns centímetros, enquanto outras alcançam 20 centímetros de altura. A diferença de tamanho pode refletir a capacidade econômica do doador — figuras maiores e feitas de prata podem ter sido oferecidas por pessoas ricas, enquanto figuras de bronze menores são para o povo comum. Isso mostra que o templo era aberto a todas as camadas da sociedade.
Função Religiosa e Simbolismo
Essas figuras não são apenas decorações. Na crença fenícia, as figuras de nazar serviam como intermediários entre o homem e o deus. Quando alguém fazia uma oração, eles deixavam uma figura no templo como 'representante' de si mesmos. A figura continuaria 'orando' para os deuses por toda a eternidade, pois era acreditado que os deuses sempre veriam a oferenda. Isso é uma prática semelhante àquela feita por outras culturas do Oriente Médio Antigo, como a Mesopotâmia e o Egito.
Outro símbolo interessante é a posição das mãos das figuras. A maioria das figuras é representada com as mãos levantadas, os pés abertos para frente. Isso é um sinal de adoração comum naquela época, também visto em relevos e pinturas de paredes em toda a Levante. Talvez as figuras também tenham sido colocadas em altares ou paredes do templo, como uma linha de soldados espirituais que continuam a adorar os deuses.
Legado e Influência na Era Moderna
Hoje, as figuras de Byblos não são apenas objetos de estudo arqueológico, mas também um símbolo da identidade do Líbano. O Ministério de Turismo do Líbano adotou essas figuras como seu logotipo oficial. A imagem da pequena figura de bronze pode ser vista no site do ministério, em folhetos de turismo e até em placas de aeroportos. Isso mostra como o legado fenício que tem mais de 3.000 anos ainda é relevante na formação da imagem de um país moderno.
A maioria dessa coleção agora está guardada no Museu Nacional de Beirute, enquanto algumas figuras também estão no Museu do Louvre em Paris. Cada ano, milhares de visitantes vêm para ver essas figuras, que não apenas são bonitas, mas também contam a história de crenças, arte e vida da sociedade fenícia. Em 2019, uma exposição especial em Beirute apresentou essas figuras, atraindo a atenção internacional e lembrando o mundo da riqueza histórica do Líbano que não tem preço.
Conclusão: O Sussurro do Tempo de Bronze
As figuras de Byblos são mais do que apenas artefatos. Eles são a voz do passado, o sussurro dos comerciantes, agricultores e sacerdotes que viviam há mais de 3.000 anos. Cada figura carrega uma história de esperança, medo e gratidão. Em silêncio, elas continuam a orar pelos que já não estão mais. E agora, elas se tornaram uma ponte que nos conecta com a civilização fenícia que um dia dominou o mar e espalhou a escrita por todo o mundo. Talvez, por trás de cada figura, haja uma oração que ainda não foi respondida.