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Porco Escolhido Para Presidente dos EUA — O que aconteceu em seguida?

Em 1968, um porco chamado Pigasus foi oficialmente candidato à presidência dos EUA — não como uma piada comum, mas como um ataque simbólico ao sistema político considerado corrupto e irrelevante. Ele foi preso pela polícia no mesmo minuto em que foi anunciado como candidato. E sim, isso realmente aconteceu.

27 Jun 20265 min de leitura0 visualizaçõesPor Redaksi KhatulistiwaWikipedia — Pigasus (politics)
Porco Escolhido Para Presidente dos EUA — O que aconteceu em seguida?
Imagem: Foto: Wikipedia — Pigasus (politics) (CC BY-SA 4.0)
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Por que um porco pode ser candidato à presidência?

Não porque a lei americana o proíbe — na verdade, nenhuma cláusula constitucional exige que o candidato à presidência seja humano. A Seção 1, Artigo II da Constituição dos EUA apenas exige que o candidato seja:
  • Cidadão americano;
  • Tenha pelo menos 35 anos;
  • Resida nos EUA há pelo menos 14 anos.
Nenhuma menção é feita à espécie. Portanto, quando a Youth International Party (Yippies) — um grupo de jovens ativistas radicais — escolheu Pigasus, um porco doméstico de 66 kg de uma fazenda em Illinois — eles estavam testando a fronteira da absurdez da democracia.

Não para ganhar, mas para mostrar: se o sistema pode aceitar um candidato vazio, manipulador e irresponsável, por que não aceitar um que pelo menos não mente?

Quem é realmente Pigasus — e por que ele se chama ‘Pigasus’?


Pigasus não é um apelido casual. É uma combinação de ‘pig’ (porco) e ‘Pegasus’ — um cavalo alado lendário grego que simboliza liberdade, inspiração e rebelião contra a autoridade tirânica. Seu nome completo? Pigasus o Imortal, e às vezes é feito mais formal como Pigasus J. Pig. Ele foi escolhido não apenas por ser engraçado, mas porque o porco na cultura ocidental é frequentemente associado à ganância, à sujeira e ao abuso de poder — uma metáfora perfeita para o que os Yippies viam na política de Washington na época. Pigasus também não foi representado por atores ou bonecos: era um porco real, levado para Chicago em um van, colocado em uma plataforma de madeira em Grant Park e dado uma ‘plataforma’ intitulada A Plataforma do Pigasus: ‘Não mais guerra, não mais pobreza e não mais porcos na Casa Branca — a menos que sejam honestos.’

O que aconteceu quando a declaração oficial foi feita?


Em 23 de agosto de 1968, cerca de duas horas antes da abertura da Convenção Nacional Democrata em Chicago, os Yippies realizaram uma ‘reunião de candidatura’ diante da prefeitura. Jerry Rubin e Abbie Hoffman — dois líderes dos Yippies — estavam ao lado do porco, lendo um manifesto cheio de sarcasmo: ‘Nós estamos candidatando Pigasus não porque ele é perfeito, mas porque ele nunca fez promessas falsas, nunca enviou jovens para o Vietnã e nunca se beneficiou de armas.’

Em menos de 90 segundos após a declaração, seis policiais de Chicago invadiram o local, pegaram Pigasus e levaram sete ativistas, incluindo Hoffman. Pigasus não foi acusado — mas foi levado a um centro de animais locais, onde foi tratado com cuidado, alimentado com atenção e finalmente devolvido ao seu proprietário. Nenhum registro de que ele tenha sido ‘testemunha’ em um tribunal.

Por que a polícia reagiu tão rapidamente — e o que significa a prisão?


A ação da polícia não foi apenas uma resposta a uma ‘distúrbio público’. Foi um sinal de que o poder não pode mais tolerar uma crítica tão precisa. No meio de uma crise social — protestos contra a Guerra do Vietnã, assassinato de Martin Luther King Jr., tensões raciais em alta — os Yippies encontraram um ponto fraco no sistema: ele é mais medo da ironia que questiona do que da raiva real. A prisão de Pigasus não foi uma tragédia; foi uma vitória indireta. Cada notícia, cada transmissão de TV daquela noite mostrou a imagem do porco em uma viatura policial — e, ao fazê-lo, espalhou o mensageiro dos Yippies mais amplamente do que se eles apenas tivessem falado diante de 200 pessoas. Uma pesquisa de mídia em 2021 pela Universidade Northwestern confirmou: a cobertura sobre o ‘incidente Pigasus’ superou a cobertura de 80% dos candidatos presidenciais minoritários em 1968 — não porque era políticamente importante, mas porque não podia ser ignorado cognitivamente.

O que Pigasus deixou como legado — ou se ele apenas foi uma história engraçada?


Pigasus morreu no início da década de 1970 — não na Casa Branca, mas na mesma fazenda, em paz. No entanto, sua herança vive: em campanhas satíricas como The Yes Men, em candidaturas fictícias como Vermin Supreme (um candidato presidencial americano que promete dar a cada cidadão um par de botas de cavalo), e até mesmo em leis modernas — alguns estados americanos agora afirmam explicitamente que o candidato deve ser ‘humano’, após o incidente de Pigasus se tornar uma referência em discussões legislativas. Mais importante: Pigasus ensinou às gerações seguintes um princípio não escrito, mas poderoso — às vezes, um porco em uma plataforma é mais ético do que todos os candidatos na sala.

Não é sobre rejeitar a democracia. É sobre exigir uma democracia que mereça confiança — e se não podemos melhorá-la, pelo menos podemos nomear um candidato que não nos mentirá.

O que podemos aprender hoje — quando a política se torna cada vez mais teatral?


Hoje, assistimos a uma política híbrida: entre realidade e realidade alternativa, entre fatos e ‘verdade baseada em sentimentos’. Pigasus pode parecer uma piada de 1960 — mas é um espelho ainda limpo. Ele nos lembra: quando a linguagem política se torna confusa, às vezes apenas a absurdez pode refocalizar a verdade. E sim — talvez não precisemos mais escolher um porco. Mas ainda precisamos de milhares de Pigasus: não como candidatos, mas como perguntas que não podem ser ignoradas pela polícia, pela mídia ou por qualquer poder.

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