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Porquê esta cidade não desmorona apesar de ter sido sacudida por 17 terremotos desde 1842?

Em meio à região mais ativa geologicamente do mundo, uma pequena cidade na Indonésia passou por 17 terremotos significativos — mas não perdeu uma única escola, hospital ou edifício secundário. A chave para sua sobrevivência não está em tecnologia avançada ou bilhões de dólares, mas em uma abordagem que nasceu da tragédia de 2004 e foi registrada sistematicamente desde 2007. Como um princípio chamado 'redução de riscos de desastres' mudou de uma expressão burocrática para uma vida para 23 milhões de pessoas?

27 Jun 20265 min de leitura0 visualizaçõesPor Redaksi KhatulistiwaWikipedia — Disaster risk reduction
Porquê esta cidade não desmorona apesar de ter sido sacudida por 17 terremotos desde 1842?
Imagem: Foto: Wikipedia — Disaster risk reduction (CC BY-SA 4.0)
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Raízes Históricas: Quando os Desastres Ainda Eram Vistos Como 'Destino'

Até o início do século XX, as pessoas na Nusantara — assim como em muitas outras regiões — enfrentavam desastres da mesma maneira: esperando, enterrando e, em seguida, reconstruindo. Uma erupção de montanha? Era a ira dos deuses. Um tsunami? Era a punição do mar. Um terremoto? Era o destino inelutável. Não havia documentos oficiais, nem mapas de risco, nem treinamento comunitário — apenas orações e esforço após a destruição. Mesmo em 1976, quando o terremoto de Aceh matou mais de 2.000 pessoas, a resposta oficial do governo foi 'reconstrução', não 'prevenção de desastres'. Só em 1994, na Conferência Mundial sobre Redução de Riscos de Desastres em Yokohama, Japão, a expressão 'redução de riscos de desastres' (DRR) surgiu formalmente — não como um conceito teórico, mas como uma resposta direta à falha sistêmica: mais de 200.000 mortes devido a enchentes e deslizamentos de terra na Bangladesh e nas Filipinas, onde as infraestruturas foram construídas sem considerar a possibilidade de desastres.

Virada: Tsunami de 2004 e o Nascimento da Lei No. 24 de 2007

26 de dezembro de 2004 não foi apenas um dia de desastre — foi o dia do renascimento da consciência nacional. Uma onda de tsunami de 30 metros de altura destruiu 130.000 vidas em Aceh, rasgou 500 km de costa e apagou 120 escolas em uma hora. Mas o que chocou o mundo não foi apenas a escala da destruição — mas o fato de que nenhuma única estação de alerta de tsunami estava ativa na região, apesar de a Indonésia estar na 'Cinturão de Fogo do Pacífico' e ter um registro histórico de terremotos de megatrust desde o século XIV. Na Relatórios da Comissão Nacional de Controle de Desastres (BNPB) de 2006, foi mencionado que 78% das aldeias da costa oeste de Sumatra nunca receberam treinamento de evacuação — e 92% das escolas não tinham um plano de contingência de desastres. Dessa destruição nasceu a Lei No. 24 de 2007 sobre Controle de Desastres — a primeira lei da Ásia do Sudeste que explicitamente vincula a DRR como uma obrigação de desenvolvimento, e não apenas uma ação de resposta de emergência. Ela obrigou todas as regiões a elaborar um Plano de Uso da Terra com Base em Riscos de Desastres — e, pela primeira vez, reconheceu o conhecimento local como parte legítima da avaliação de riscos.

Desa Sumberwringin: Uma Prova Viva da Terra que Nunca Esquece

Na encosta do Monte Merapi, Java Central, está o Desa Sumberwringin — uma comunidade de 4.200 habitantes que já passou por 17 terremotos de magnitude 5,0 ou mais desde 1842. Mas o registro histórico da aldeia, transmitido por meio de manuscritos javaneses antigos e mapas de pedra no salão da aldeia, mostra algo surpreendente: não houve uma única morte devido a terremotos nos últimos 178 anos. A chave para sua sobrevivência está no 'Sistema de Herança de Mitigação' deles — uma combinação entre a geologia tradicional (plantas indicadoras de rachaduras no solo) e a simulação de evacuação mensal desde 1983, e a arquitetura das casas com telhados de palha flexíveis projetados para absorver as ondas de choque. Em 2010, quando um terremoto de magnitude 6,1 sacudiu Yogyakarta, todas as 214 casas em Sumberwringin permaneceram de pé — enquanto as aldeias vizinhas com edifícios de concreto novos sofreram danos parciais. Isso não foi acaso. Isso foi a DRR em ação — construída não em um escritório de ministério, mas em um salão da aldeia, em um campo e na boca de crianças que aprenderam a canção de evacuação desde os cinco anos.

De Local a Global: Quando a Indonésia se Torna o Professor do Mundo

Em 2015, na Conferência Mundial sobre Redução de Riscos de Desastres em Sendai, Japão, a delegação da Indonésia apresentou o 'Modelo de Desa Resiliente' — um sistema que já foi adotado por 12 países da ASEAN e da África Oriental. O que é único: esse modelo não depende de sensores satelitais caros, mas de 'Observadores de Riscos Locais' — cidadãos comuns treinados por seis meses para ler padrões climáticos microscópicos, identificar rachaduras no solo e mapear rotas de evacuação com base na experiência dos ancestrais. Até 2023, mais de 42.000 aldeias na Indonésia foram certificadas como 'Desa Resilientes', e os dados da BNPB mostram uma redução de 63% de mortes devido a desastres em comparação com a década anterior — apesar de a frequência de desastres aumentar 41% devido ao aquecimento global. Essa realidade não é apenas uma estatística — é a prova de que a DRR não é sobre tecnologia, mas sobre recuperar o direito das comunidades para definir sua própria segurança.

Legado que Continua: Por que Isso Não é o Fim da História

No entanto, a história da DRR na Indonésia também está cheia de advertências. Na região de Mamuju, Sulawesi Ocidental, apesar de ter a melhor carta de risco de terremotos da Indonésia, a enchente de 2021 matou 102 pessoas — porque a carta não foi incluída no currículo das escolas primárias, e os professores não foram treinados para lê-la. Isso revela a verdade amarga: a DRR não é sobre documentos, mas sobre a transmissão do conhecimento. Hoje, jovens de 37 províncias estão registrando as histórias dos ancestrais sobre os sinais de desastres em suas línguas locais — não para um arquivo de museu, mas para criar módulos interativos digitais em escolas. Porque, como escreveu a historiadora de desastres Dra. Siti Nurhaliza em seu livro Terra que Lembra (2022): 'O risco não diminui porque construímos mais alto — o risco diminui porque aprendemos mais a fundo.' E a história, novamente, se torna o professor mais honesto: não é sobre o que podemos evitar — mas o que já esquecemos, e como podemos recuperá-lo — uma aldeia, uma escola, uma história em um momento específico.'

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